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Distribuição digital: pôr música no Spotify sem label

Distribuidor digital sem label: modelos de preço (DistroKid, TuneCore, CD Baby, Ditto, Amuse), quem fica com os masters, metadata, ISRC e timing de pré-save.

verificado 2026-07-128 min de leitura

O Spotify, a Apple Music e as outras plataformas de streaming não aceitam uploads diretos de artistas: precisas de um distribuidor digital. A boa notícia é que já não precisas de uma label para isso. Por menos do que custa uma hora de estúdio, qualquer artista põe música em todo o mundo. A má notícia é que os distribuidores têm modelos de preço e letras pequenas muito diferentes, e a escolha errada custa dinheiro ou, pior, controlo sobre o teu catálogo.

O que faz um distribuidor digital?

Um distribuidor digital é o intermediário técnico e comercial entre ti e as plataformas de streaming: entrega os teus ficheiros e metadata aos serviços (Spotify, Apple Music, YouTube Music, Deezer, TikTok e dezenas de outros), cobra os royalties de streaming e paga-te. As plataformas trabalham com fornecedores agregados, não com milhões de artistas individuais, e é esse o espaço que o distribuidor ocupa.

O que o distribuidor NÃO faz, em regra: não promove a tua música, não regista a obra na SPA, não cobra os teus direitos conexos de intérprete na GDA e não é uma label. No modelo normal de distribuição independente, dás ao distribuidor uma licença não exclusiva para entregar e monetizar a gravação, e tudo o resto continua contigo. Isto é diferente de um contrato discográfico, em que costuma haver cedência ou exclusividade sobre o master (vê o guia sobre cessão vs licença).

Quanto custa distribuir: os três modelos de preço

Existem três modelos: subscrição anual com uploads ilimitados, pagamento por lançamento, e comissão sobre o que ganhas. Muitos distribuidores misturam dois deles. Valores verificados a 12 de julho de 2026 nos sites oficiais, na moeda que cada site mostrava; os preços mudam com frequência e podem variar por país, por isso confirma sempre o valor atual no site oficial antes de decidir.

DistribuidorModeloPreço base verificadoComissão sobre streamingAtenção a
DistroKidSubscrição anual, uploads ilimitados23,99 €/ano (plano Musician)0%Se deixares de pagar, os lançamentos podem ser removidos, salvo extra pago Leave a Legacy por lançamento
TuneCoreSubscrição anual ou por lançamento24,99 USD/ano (Rising Artist)0% nas lojas; 20% na monetização social (TikTok, Instagram, YouTube)Os planos por lançamento também renovam anualmente
CD BabyTaxa única por lançamento + comissão9,99 USD por single, 14,99 USD por álbumFicas com "mais de 90%" do que ganhasSem renovação anual: pagas uma vez e o lançamento fica
Ditto MusicSubscrição anual, uploads ilimitados19 USD/ano (Starter)0%; 15% sobre publishing e sync nos planos Pro e LabelsPublishing é serviço à parte com comissão
AmuseSubscrição anual, uploads ilimitados23,99 USD/ano (Artist)0%; 15% em splits com colaboradores e Content ID no plano baseJá não existe plano gratuito

Como escolher entre modelos, em traços largos:

  • Lanças muito (vários singles por ano): a subscrição anual ilimitada sai mais barata por faixa.
  • Lanças pouco e queres que fique online para sempre sem pensar nisso: o modelo de taxa única com comissão (CD Baby) evita a renda anual, em troca de uma fatia dos royalties.
  • Estás a testar: cuidado com a matemática dos planos baratos. Um plano de 20 euros por ano parece imbatível, mas se o catálogo sai do ar quando deixas de pagar, estás a alugar a presença do teu catálogo nas plataformas, não a comprá-la.

O distribuidor fica com os teus masters?

Nos distribuidores independentes mainstream, não: manténs a titularidade do master e dás apenas uma licença de distribuição não exclusiva. Em Portugal, o produtor do fonograma, e portanto o titular dos direitos sobre a gravação, é quem a fixa pela primeira vez (art. 176.º, n.º 3 do CDADC), na prática quem toma a iniciativa e assume a responsabilidade da gravação; um contrato de distribuição normal não transfere essa titularidade.

Mas há zonas cinzentas que deves verificar nos termos de serviço antes de carregar seja o que for:

  • Exclusividade: o contrato é exclusivo ou não exclusivo? Não exclusivo significa que podes distribuir a mesma gravação por outra via (na prática não o farás, mas mostra quem manda).
  • Saída com o catálogo: consegues cancelar e levar as gravações para outro distribuidor? Qual é o pré-aviso? Ficam pagamentos retidos?
  • Adiantamentos e serviços de label: alguns distribuidores oferecem adiantamentos de royalties ou "label services". Aí o contrato muda de natureza e pode incluir exclusividade, prazos longos ou participação nos masters. Lê como lerias um contrato de label, porque é isso que é.
  • Duração da licença: alguns termos mantêm direitos sobre lançamentos já entregues durante um período após o cancelamento.

Que splits e pagamentos automáticos deves confirmar?

Verifica se o distribuidor divide os royalties automaticamente entre colaboradores e quanto cobra por isso. Se fazes música a meias, os splits automáticos poupam-te transferências manuais e discussões: defines as percentagens no upload e cada pessoa recebe a sua parte diretamente. Três exemplos verificados nos sites oficiais: o DistroKid inclui splits em todos os planos, a TuneCore inclui splits sem comissão nos planos de subscrição, e a Amuse cobra 15% sobre a parte de colaboradores sem subscrição no plano base.

Atenção: estes splits cobrem apenas os royalties de streaming do master pagos pelo distribuidor. As percentagens da obra (quem escreveu o quê) vivem noutro documento, o split sheet, e são pagas por outra via (SPA e congéneres). Trata dos dois.

Como fazer metadata bem feita à primeira?

Metadata é o conjunto de informação que identifica a gravação: título, artistas, compositores, ISRC, UPC, data de lançamento, género. Erros aqui significam royalties que não chegam ou perfis desdobrados nas plataformas. Regras práticas:

  • ISRC: cada gravação recebe um código ISRC que a identifica de forma exclusiva e permanente a nível internacional. Em Portugal, a agência nacional que atribui códigos de registante é a Audiogest, mas na distribuição digital não precisas de tratar disso: o distribuidor atribui um ISRC gratuitamente se a gravação não tiver um. Se já tens ISRC próprios (por exemplo, de um lançamento anterior noutro distribuidor), usa sempre os mesmos, porque é o ISRC que preserva o histórico de streams entre distribuidores.
  • UPC: o código de barras do lançamento (o "produto": single, EP ou álbum), também atribuído pelo distribuidor. Um lançamento, um UPC; uma faixa, um ISRC.
  • Nomes consistentes: escreve o nome do artista sempre da mesma forma, letra por letra, em todos os lançamentos. Variações criam perfis duplicados no Spotify que depois dão trabalho a fundir.
  • Compositores completos: preenche os créditos de composição com nomes legais completos e iguais aos do registo na SPA. É esta ligação que permite que os direitos da obra encontrem o caminho até ti.
  • Sem palavras proibidas nos títulos: nada de "feat." mal formatado, "official audio", emojis ou nomes de playlists nos campos de título. As plataformas rejeitam ou corrigem, e isso atrasa o lançamento.

Pré-save, pitching e timing: quando carregar e quando lançar?

Carrega a música semanas antes da data de lançamento, porque as ferramentas de promoção nas plataformas têm prazos. Os dois prazos concretos confirmados na documentação oficial do Spotify:

  • Pitch editorial: para submeteres uma faixa aos editores de playlists do Spotify tens de o fazer pelo menos 7 dias antes do lançamento, através do Spotify for Artists. O pitch atempado tem um segundo efeito garantido: a faixa entra no Release Radar dos teus seguidores. Depois de a música estar no ar, já não pode ser pitchada.
  • Countdown Pages (pré-save nativo do Spotify): páginas de contagem decrescente onde os fãs fazem pré-save do lançamento. Exigem pelo menos 3.000 ouvintes mensais e só aceitam álbuns e EPs novos, não singles. Segundo o Spotify, quase 60% de quem faz pré-save de um álbum ouve-o na primeira semana.

Se não cumpres os requisitos das Countdown Pages, o pré-save faz-se com links inteligentes de terceiros (muitos distribuidores incluem esta ferramenta nos planos), que convertem o pré-save num save automático no dia do lançamento.

Timing prático de mercado: entrega a música ao distribuidor com 3 a 4 semanas de antecedência. Isso dá margem para a revisão de conteúdo do distribuidor, para a faixa aparecer no Spotify for Artists como "upcoming", para fazeres o pitch editorial dentro do prazo e para montares a campanha de pré-save. Lançar "para a semana" é tecnicamente possível; lançar bem, não.

Fontes e verificação

Verificado a 2026-07-12. Encontraste um erro? Diz-nos em guiadoartista.pt/sobre.

Perguntas rápidas

Posso mudar de distribuidor sem perder as streams e as playlists?

Em regra sim, desde que a migração mantenha os mesmos códigos ISRC de cada gravação e, idealmente, o mesmo UPC do lançamento. Com os mesmos códigos, as plataformas tratam a entrega do novo distribuidor como a mesma gravação e as contagens e playlists mantêm-se. Antes de cancelar o distribuidor antigo, confirma com os dois o procedimento de transferência para evitar que a música saia do ar durante a mudança.

O que acontece à minha música se deixar de pagar a subscrição do DistroKid?

Os lançamentos podem ser removidos das plataformas, embora continues a receber o que já era devido. A exceção é o extra pago Leave a Legacy, que mantém um lançamento específico online mesmo depois de cancelares a subscrição, pago uma vez por single ou por álbum. É por isto que o modelo de subscrição anual funciona como uma renda: paras de pagar, o catálogo sai.

Preciso de estar inscrito na SPA ou na GDA para pôr música no Spotify?

Não, o distribuidor entrega o master às plataformas sem exigir inscrição em nenhuma entidade de gestão. Mas o distribuidor só te paga os royalties de streaming do master. Os direitos de autor da obra (via SPA) e os direitos conexos de intérprete (via GDA) são fluxos separados que o distribuidor não cobra por ti, por isso um artista que escreve e interpreta as próprias músicas tem razões para tratar dos dois lados.

Posso usar dois distribuidores ao mesmo tempo?

Para gravações diferentes, sim: podes ter um EP num distribuidor e um single noutro. Para a mesma gravação, não: entregar o mesmo master por dois distribuidores cria duplicados nas plataformas, que podem remover as duas versões e dividir as streams. Escolhe um distribuidor por gravação e migra o catálogo em bloco se quiseres trocar.

O distribuidor regista as minhas músicas na SPA ou trata do publishing?

Por defeito, não. O distribuidor entrega e monetiza a gravação; o registo da obra e a cobrança de direitos de autor ficam do teu lado. Alguns distribuidores vendem serviços adicionais de administração de publishing (a Ditto, por exemplo, cobra 15% de comissão sobre royalties de publishing e sincronização nos planos Pro), mas isso é um contrato à parte que deves ler com a mesma atenção que o resto.

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